quarta-feira, 3 de julho de 2024

TRÊS DROGADOS (2º PARTE)

...e eu mesmo quase morri uma par de vezes, ou talvez eu tenha morrido mesmo... por causa de uma vida imatura à procura das drogas. mas voltando a esta história, eu me despedi daqueles canalhas e continuei naquela esquina, quase quatro da manhã, voltei para o beco e prossegui. entrei depois de duas quadras mais à frente, ruas que eu andava de dia rumo ao trabalho, virei e prossegui mais duas. estas ruas eu não ousaria andar a qualquer hora, do dia ou da noite, se não fosse A DROGA DAQUELA DOSE A MAIS, QUE CONSUMIA MINHA IMAGINAÇÃO PARA LÁ DE ALTERADA. Por pouco não consumiria minha vida também, não sei... Cambaleie pela rua, não sei dizer por quanto tempo até que vi um pia de bicicleta vir em minha direção - me dei conta de onde veio, e do perigo que eu estava passando ali parado, ao longe três caras se encostavam na casinha da invasão, cheirando cola. _ eaí, véio. quê oque? _ quatro pedras _ dá o dinheiro aí que eu busco uma péssima idéia passou pela minha cabeça, então... _ vamô fazê assim,... vamô junto, lá pega!? _ você quê í lá? não sei, plaboi, naum dá _ Tá, vou embora. Então dez segundos depois... _ Peraí,... vamô lá o cara saiu da bicicleta e caminhou junto comigo pela rua até a entrada do carreiro, contrariado. ele parou e continuou a conversa que estava tendo os caras quando me viu, conversavam como se eu não estivesse ali, ou melhor conversavam para eu ouvir mesmo, eram conversas sobre discussões que acabavam brigas e retaliações por parte de um deles que acabou com alguém inconsciente na sargeta. "A violência é tão fascinante/E nossas vidas são tão normais/E você passa de noite e sempre vê/..." procurei não olhar diretamente para eles, pois já sei como é que é, mas também procurei não ficar olhando para o chão ou para o horizonte como um bobo perdido. eu podia tá bêbado, chapado, mas não estava louco de deixar me levarem assim tão fácil. Mesmo de relance, dava pra ver que aqueles caras eram feios, mal encarados e não me deixaram andar com eles por compaixão ou empatia. era por causa do meu dinheiro e aí de mim se não lucrassem com minha investida na boca de fumo.
Um lado do carreiro dava pra um rio que fedia a merda, um lugar horrível para ser jogado depois de apanhar, juro que pensei nisso e muito mais... do outro, barracos no escuro, um facho de luz aqui ou ali, 50 ou 60 metros assim. escuridão. ao lado de uma valeta que dava pro rio, barro, muito barro no chão, galhos e pedaços de madeira, também. e quatro ou cinco sujeitos que fediam igualmente mal. Chegamos a beirada do rio e encontrei um bom espaço aberto coberto de grana e barro molhado e mais sujeitos. ARMAS, FUMAÇA DE CRACK, GRUPINHO EM TORNO DE UM SOFAZINHO VELHO, UM AR DE DESCONFIANÇA, OLHARES SORATEIROS SOBRE MIM E AQUELE CHEIRO DE MERDA DO RIO. Um cara chegou perto e foi que comecei a ouvir ameaças para nunca mais voltar lá, para agradecer a Deus por não levar um tiro (eu mesmo, na hora, ficaria sóbrio com tudo aquilo se não tivesse tão chapado). No final das contas: eu estava vivo. É, EU TAVA VIVO E PEGUEI AS QUATRO PEDRAS! Uma caiu no chão, na hora que ele me entregou (claro, que eu não fui procurar, eu só queria sair dali), outra dei para aqueles que me levaram até lá. fiquei com duas, abri a primeira e estava vazia, só tinha papel alumínio lá e o cheiro forte da droga. A outra fumei para realizar a fantasia de que eu estaria plenamente satisfeito fumando a última dose da madrugada... mas não estava.

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