quarta-feira, 29 de maio de 2024

Domingo

 


Queimei uma grande parte da minha vida. O fogo sagrado. Ele queima , mas também purifica. 

Meu corpo queria dopamina, enquanto a minha alma sumia, Eu não via mais o céu com a paleta colorida.

Junto a minha mina, no parque, curtindo o pôr-do-sol. Tudo isso a droga me levou. Ela foi a isca e eu fui o anzol.

Sempre fui um pouco atrevido e um pouco reprimido. Por outro lado, eu também era um tanto exibido.

Meus tempos nas ruas moldaram este meu estilo. Tive dias bons, tive dias ruins. Muita coisa se passou.

Minha história foi assim até que azedou. Cheguei perto do fim. Tava tudo demais,

Eu que jamais imaginei isso para mim. Meus sonhos ficaram escuros e violentos. Meus dias também eram desse jeito.

Senão, isolado no meu quarto com o meu comportamento obsessivo.

Tenho amigos que morreu cheiram cola, outros hoje vivem pedindo esmola.

Eu que me senti um "exemplo fora da curva", mas que na verdade perambulava de madrugada pelas ruas. 

Puro comportamento compulsivo.

Mas tudo acaba acontecendo como tem que acontecer.

Hoje, sei que tenho uma doença e o meu remédio foi voltar a amadurecer. 

Ela envenena a minha alma assim que a minha guarda abaixar. Preciso seguir firme e constante, feito Mohamed Dali.

Eu subi com a minha mochila a Montanha, sereno feito Buda. Controlando a minha sanha de querer sempre mais de tudo um pouco.

Quando alcancei ao topo, tirei de minha mochila todos os cadernos escritos com os erros cometidos na minha vida. Cobri com gasolina.

Acendi com o meu isqueiro r vi a fumaça subindo.

Era um fim de tarde de um lindo domingo.




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